15 de abril de 2026
Professor Raphael Martins Ferris © Imagem criada por IA / Global Comunicação
Fisioterapeuta, gestor e faixa preta de taekwondo, Raphael Martins Ferris amplia o debate sobre a necessidade de integração entre esporte, saúde e ciência para garantir continuidade e impacto real no setor. Licenciado da presidência do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 3ª Região (Crefito-3), entidade pela qual foi responsável por promover profundas mudanças estruturais e avanços institucionais, Ferris projeta uma visão mais ampla e estratégica para o desenvolvimento do esporte no Estado de São Paulo.
A construção de um sistema esportivo sólido, eficiente e sustentável passa, necessariamente, por uma mudança de paradigma na forma como o setor é compreendido e conduzido no Brasil. Mais do que iniciativas pontuais ou projetos isolados, o desafio central está na consolidação de políticas públicas capazes de atravessar gestões e produzir efeitos concretos a longo prazo.
É dentro dessa perspectiva que Raphael Martins Ferris se insere no debate sobre o futuro do esporte paulista. Com trajetória que transita entre a atuação clínica, a vivência esportiva e a gestão à frente de uma autarquia profissional, defende uma abordagem integrada, na qual o esporte deixa de ser tratado de forma fragmentada e passa a ocupar um papel estratégico no desenvolvimento social.
“Em determinado momento da minha trajetória, ficou claro que a contribuição não poderia se limitar à atuação técnica ou clínica. O esporte exige organização, planejamento e, sobretudo, visão de longo prazo. Sem isso, seguimos reféns de ciclos curtos e de iniciativas que não se sustentam”, afirma.
A evolução do esporte moderno, especialmente no alto rendimento, tornou definitiva a presença de uma rede multidisciplinar no entorno dos atletas. Fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas, médicos, fisiologistas e outros profissionais passaram a desempenhar papel determinante não apenas na performance, mas também na longevidade esportiva.
Para Raphael, no entanto, essa estrutura ainda não é compreendida de forma sistêmica pela gestão pública.
“O esporte não é mais uma atividade isolada. Ele é um ecossistema complexo, que depende diretamente da atuação coordenada de diversas áreas do conhecimento. Essa lógica se aplica tanto ao alto rendimento quanto à formação de base e aos projetos sociais, onde o esporte cumpre um papel decisivo no desenvolvimento humano. Quando não há integração entre esses profissionais, o resultado é perda de eficiência, desperdício de recursos e limitação não apenas no desenvolvimento dos atletas, mas também na formação de crianças e jovens inseridos na prática esportiva”, analisa.
Essa leitura amplia significativamente o alcance de sua atuação, deslocando o debate de uma categoria específica para um campo mais abrangente, que envolve todos os atores que sustentam o ambiente esportivo.
Apesar do potencial esportivo do Estado de São Paulo, considerado um dos principais polos do país, Raphael aponta que ainda há obstáculos relevantes que impedem avanços mais consistentes.
Entre eles, destaca a descontinuidade administrativa e a ausência de planejamento estratégico de longo prazo.
“O maior problema hoje não é a falta de iniciativas, mas a falta de continuidade. Projetos são iniciados, interrompidos, reformulados e, muitas vezes, abandonados. Isso compromete qualquer possibilidade de construção sólida”, observa.

Diante de dirigentes esportivos, Raphael Ferris cobra mudança de postura e defende um novo modelo de gestão para o esporte © Global Comunicação
Segundo ele, essa instabilidade impacta diretamente tanto o esporte de base quanto o alto rendimento, criando um ambiente de incerteza para atletas, profissionais e entidades, além de comprometer a continuidade de projetos promissores e estratégicos, tanto sob a perspectiva do rendimento esportivo quanto para o desenvolvimento social.
Política de Estado, não de governo
Dentro desse cenário, Ferris defende a adoção de políticas públicas estruturantes — um conceito ainda pouco aplicado na prática esportiva nacional.
“Precisamos tratar o esporte como política de Estado. Isso significa criar mecanismos que garantam continuidade independentemente de quem esteja à frente da gestão. Sem essa base, qualquer avanço será sempre temporário”, pontua.
A proposta passa pela criação de diretrizes permanentes, com planejamento técnico, indicadores de desempenho e integração entre diferentes esferas administrativas.
“Não se trata apenas de investir mais, mas de investir melhor, com inteligência, planejamento e responsabilidade”, completa.
Outro ponto central na visão de Raphael é a necessidade de aproximação efetiva entre as áreas de esporte e saúde — uma conexão que, embora evidente na prática, ainda é pouco explorada na formulação de políticas públicas.
“O esporte é uma ferramenta direta de promoção da saúde. Quando essas áreas são tratadas de forma separada, perde-se a oportunidade de construir políticas mais eficientes, com impacto direto na qualidade de vida da população”, afirma.
Ferris defende que essa integração pode gerar resultados tanto no alto rendimento quanto no âmbito social, ao ampliar o acesso à prática de atividade física e contribuir para a prevenção de doenças e a redução dos custos do sistema de saúde.
A complexidade do ambiente esportivo exige, segundo Raphael, uma representação mais qualificada e conectada com a realidade dos profissionais que atuam diretamente no campo.
“O esporte precisa ser representado por quem conhece sua estrutura, suas dificuldades e suas necessidades. Não é possível avançar sem ouvir quem está na base, no dia a dia, construindo esse cenário”, destaca.
Essa visão reforça a necessidade de lideranças capazes de transitar entre diferentes áreas, compreendendo o esporte em sua totalidade.
Ao projetar os próximos anos, Raphael Martins Ferris defende a construção de um modelo mais integrado, eficiente e sustentável para o esporte paulista.
“É possível construir um sistema sólido, com base técnica, gestão responsável e políticas públicas bem estruturadas. O esporte tem um papel fundamental no desenvolvimento social e econômico, e precisa ser tratado com a seriedade que isso exige”, conclui.
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