24 de março de 2026
Estudo revela que mudanças na estrutura de proteínas, detectadas em exames de sangue, podem revolucionar o diagnóstico do Alzheimer © Imagem criada por IA / Global Comunicação
Um estudo financiado pelo National Institutes of Health (NIH), órgão vinculado ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, identificou uma nova abordagem para detecção da doença de Alzheimer baseada em exames de sangue. Diferentemente dos métodos tradicionais, a técnica analisa alterações estruturais nas proteínas, oferecendo uma compreensão mais profunda dos mecanismos biológicos da doença.
Os resultados, publicados na revista Nature Aging, também trazem evidências relevantes de que a progressão do Alzheimer pode apresentar diferenças entre homens e mulheres em nível molecular.
“Este trabalho apresenta uma abordagem fundamentalmente nova, baseada em sangue, para detectar e estadiar a doença de Alzheimer”, afirmou Richard Hodes, diretor do Instituto Nacional sobre Envelhecimento (NIA), braço do NIH responsável pelo financiamento da pesquisa.
“Ao revelar alterações estruturais em proteínas associadas ao risco genético, à gravidade dos sintomas e às diferenças entre os sexos — aspectos não captados pelos biomarcadores atuais —, esta estratégia pode permitir diagnósticos mais precoces e ensaios clínicos mais eficazes”, disse Hodes.
Atualmente, a maioria dos exames sanguíneos para Alzheimer se baseia na quantificação de proteínas associadas à doença. No entanto, já se sabe que o Alzheimer envolve processos de desregulação celular que levam ao dobramento incorreto (misfolding) dessas proteínas — um fator central na progressão da doença.
Partindo dessa premissa, os pesquisadores investigaram se essas alterações estruturais poderiam ser detectadas no sangue e utilizadas como marcadores biológicos mais sensíveis.
A hipótese era de que uma análise mais abrangente das estruturas proteicas poderia revelar, com maior precisão, os mecanismos associados aos fatores de risco e aos sintomas clínicos — superando as limitações dos biomarcadores atuais.
Outro ponto relevante do estudo foi a investigação das diferenças sexuais na manifestação da doença.
Embora a maioria dos pacientes com Alzheimer desenvolva sintomas neuropsiquiátricos, estudos anteriores já indicavam variações entre homens e mulheres quanto à frequência e intensidade desses sintomas. A nova pesquisa buscou entender se essas diferenças também se refletem na estrutura das proteínas associadas à doença.
Para responder a essas questões, os cientistas analisaram amostras de plasma de 520 participantes, incluindo:
Os voluntários eram acompanhados em centros de pesquisa financiados pelo NIA nos estados do Kansas e da Califórnia.
Combinando espectrometria de massa e técnicas de aprendizado de máquina, os pesquisadores identificaram alterações estruturais em proteínas relacionadas ao risco genético da doença, especialmente em variantes do gene ApoE.
Além disso, foi possível correlacionar essas alterações com a gravidade dos sintomas neuropsiquiátricos, revelando padrões distintos entre homens e mulheres.
Com base nos dados obtidos, a equipe desenvolveu um painel diagnóstico composto por três proteínas:
Esse conjunto demonstrou alta precisão para:
“Estabelecemos um novo painel de biomarcadores capaz de revelar alterações estruturais em proteínas associadas ao Alzheimer que permanecem invisíveis aos métodos tradicionais”, explicou John Yates, autor principal do estudo e professor do Scripps Research Institute, na Califórnia.
“Essa abordagem permite distinguir com precisão os estágios da doença, abrindo caminho para diagnósticos mais precoces.”
A pesquisa foi financiada pelo NIA/NIH por meio dos subsídios RF1AG061846-01, 5R01AG075862, P30AG072973 e P30-AG066530.
O NIH é a principal agência federal dos Estados Unidos dedicada à pesquisa médica, reunindo 27 institutos e centros. Sua atuação abrange desde estudos básicos até pesquisas clínicas e translacionais, com foco na compreensão, prevenção e tratamento de doenças comuns e raras.
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