14 de junho de 2026
A academia do futuro será medida pela capacidade de atender pessoas em todas as fases da vida © Imagem gerada por IA / Global Comunicação
Durante décadas, a indústria fitness foi impulsionada apenas por objetivos ligados à estética, emagrecimento, hipertrofia, performance e condicionamento físico. E continuam sendo importantes motores do setor. O que vem mudando é a ampliação dessa conversa. Cada vez mais, academias, fabricantes de equipamentos e profissionais da área também passam a atender consumidores que buscam saúde, prevenção, mobilidade, bem-estar e qualidade de vida ao longo dos anos.
O movimento acompanha uma transformação global. Segundo dados do Global Wellness Institute, a economia mundial do bem-estar movimentou US$ 6,8 trilhões em 2024 e deve alcançar US$ 9,8 trilhões até 2029, impulsionada pelo envelhecimento da população, pela busca por longevidade e pela crescente preocupação com saúde preventiva.
No Brasil, a mudança já começa a impactar diretamente a forma como academias são planejadas, equipadas e posicionadas. Para a Buckler, empresa especializada em equipamentos premium e soluções para academias, o mercado vive um dos momentos mais importantes de sua história recente.
“A academia sempre teve um papel importante na transformação física das pessoas e isso continua sendo verdade. O que vemos agora é uma ampliação desse papel. Além da estética e da performance, as academias passam a ocupar um espaço cada vez mais relevante nas discussões sobre saúde, qualidade de vida, prevenção e longevidade. Isso amplia as oportunidades do setor e influencia a forma como os empreendedores pensam seus negócios”, afirma Bruno Parlato, fundador e CEO da Buckler.

Bruno Parlato, fundador e CEO da Buckler e Mario Calfat, fundador e vice-presidente da Buckler © DFPRESS
A empresa, que registrou R$ 200 milhões de faturamento nos seus primeiros dois anos de operação e projeta alcançar R$ 220 milhões em 2026, atua atualmente em quase 1.000 academias brasileiras e acompanha de perto a evolução do comportamento dos consumidores.
Segundo a companhia, cresce a procura por estruturas capazes de atender públicos cada vez mais diversos. Além dos praticantes tradicionais de musculação, academias recebem um número crescente de pessoas acima dos 50 anos, pacientes encaminhados por profissionais da saúde, praticantes focados em condicionamento físico, mobilidade e prevenção de doenças, além de consumidores interessados em envelhecer com mais autonomia e qualidade de vida.
“O aluno das academias mudou. Hoje o mesmo espaço precisa atender um atleta de alta performance, uma pessoa que está começando a se exercitar, alguém em processo de reabilitação e consumidores que enxergam a atividade física como uma ferramenta para viver melhor. Essa diversidade exige mais tecnologia, melhor biomecânica e uma visão muito mais ampla sobre a experiência do usuário”, afirma Mario Calfat, fundador e vice-presidente da Buckler.
Essa mudança também influencia diretamente a evolução dos equipamentos. Além de força, hipertrofia, ganham cada vez mais relevância fatores como ergonomia, acessibilidade, segurança, conforto, amplitude de movimento e adaptação para diferentes perfis físicos e objetivos de treino.
A Buckler representa marcas globais como Realleader e Spirit Fitness e participa diretamente da estratégia internacional da fabricante chinesa Realleader, uma das maiores produtoras de equipamentos fitness do mundo. Bruno Parlato e Mario Calfat integram o board global da companhia, posição que permite acompanhar tendências e movimentos que vêm redesenhando o setor em diversos países.
Para os executivos, o crescimento da economia da longevidade deve acelerar ainda mais essa transformação nos próximos anos.
“Existe uma ampliação cultural acontecendo. O mercado fitness continua conectado à performance, à evolução física e à conquista de objetivos pessoais, mas passa também a dialogar de forma mais intensa com temas como saúde, longevidade e qualidade de vida. Isso amplia o impacto das academias e exige um novo nível de profissionalização de todo o setor”, afirma Parlato.
Segundo Calfat, a tendência deve influenciar não apenas academias, mas toda a cadeia ligada ao fitness, incluindo fabricantes, profissionais de educação física, empresas de tecnologia, saúde e bem-estar.
“Estamos acompanhando uma convergência cada vez maior entre fitness, wellness e saúde preventiva. A academia do futuro não será definida apenas pelos equipamentos que possui, mas pela capacidade de atender diferentes momentos da vida das pessoas. O setor está se tornando mais inclusivo, mais técnico e mais conectado às demandas da sociedade”, afirma.
Esse movimento representa uma das maiores oportunidades de crescimento da indústria fitness nas próximas décadas e reforça um processo de profissionalização que vem transformando o mercado brasileiro.
“A discussão não deixou de ser sobre treinar melhor, evoluir fisicamente ou alcançar resultados. Ela passou a incluir também temas como viver melhor, envelhecer melhor e preservar autonomia ao longo da vida. Quanto mais o setor conseguir atender diferentes objetivos e momentos da jornada dos consumidores, maior será sua relevância para a sociedade”, conclui Parlato.
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