22 de janeiro de 2026
Conselheiros do CRP-PR na APAF 2025: Luciano Bugalski, Jéssica Tonioti, Semiramis Vedovatto e Deisy Joppert © CRP-08
O Conselho Regional de Psicologia do Paraná – 8ª Região encerrou neste domingo sua participação na última APAF de 2025 — Assembleia de Políticas, da Administração e das Finanças — com um conjunto expressivo de conquistas institucionais. A delegação paranaense integrou dois dias de debates intensos em Brasília (DF), acompanhando também, desde sexta-feira, a Reunião de Presidentes e Tesoureiros, que alinhou diretrizes nacionais de gestão, governança e finanças para o Sistema Conselhos.
O CRP-PR esteve representado por Gilberto Gaertner (CRP-08/05000) – presidente; Deisy Maria Rodrigues Joppert (CRP-08/01803) – vice-presidente e presidente da Comissão de Ética; Marina Machado Sfreddo (CRP-08/10216) – conselheira-secretária; Luciano Bugalski (CRP-08/11857) – conselheiro-tesoureiro; Semiramis Maria Amorim Vedovatto (CRP-08/06207) – presidente da Comissão de Direitos Humanos; e Jéssica Tonioti da Purificação (CRP-08/23528) – presidente da Comissão de Orientação e Fiscalização.

A vice-presidente do CRP-PR, Deisy Joppert, destaca os Grupos de Trabalho como pilares estratégicos para a organização, a ética e o futuro da Psicologia no Brasil © CRP-08
A programação incluiu a Posse do 20º Plenário do Conselho Federal de Psicologia, a revisão do plano financeiro para 2026, a aprovação das atas anteriores da APAF, a avaliação do 12º Congresso Nacional de Psicologia, o fortalecimento das políticas de acessibilidade com foco em tecnologias assistivas, além de debates sobre responsabilidades editoriais e produção técnica dos Conselhos Regionais.
A conselheira-secretária Marina Machado apresentou um balanço detalhado sobre a amplitude das deliberações, destacando a centralidade dos Grupos de Trabalho (GTs) como instâncias de formulação técnica, produção de referências e elaboração de diretrizes para toda a categoria. Segundo ela:
“Foram aprovados vinte GTs nacionais, cada um com representação das cinco regiões do país. É nesses espaços que se constroem documentos, resoluções e parâmetros que orientam a atuação profissional em escala nacional. Após as discussões, o CRP-PR ficou responsável por cinco desses GTs, todos estratégicos para o futuro da Psicologia.”
■ Revisão das Políticas de Orientação e Fiscalização;
■ Congresso Nacional de Psicologia – CNP 2026;
■ Cibersegurança, Governança Digital e Aplicação de Inteligência Artificial;
■ Reconhecimento e Validade dos Documentos Psicológicos;
■ Coaching e limites éticos da atuação profissional.

Conselheiros Marina Machado, Luciano Bugalski e Deisy Joppert durante os trabalhos da APAF, encontro em que o CRP-PR se destacou pelo protagonismo na construção de pautas estratégicas nacionais © CRP-08
Marina destacou que outros 15 GTs foram aprovados, abordando temas como atuação da Psicologia diante da Psicopedagogia, neuropsicologia, aplicação do TEIA, políticas de direitos humanos, entre outras pautas estruturantes.
Ela também sublinhou questões regulatórias essenciais. “O Conselho Federal reafirmou que a Avaliação Psicológica é uma atribuição exclusiva das psicólogas e psicólogos. Esse ponto é fundamental para a segurança da população e exige articulação com outros Conselhos Profissionais. O GT sobre Reconhecimento e Validade dos Documentos Psicológicos, que o Paraná assume, responde diretamente a uma demanda histórica: garantir que laudos, pareceres e diagnósticos emitidos por psicólogos tenham reconhecimento institucional em todo o país.”
Sobre a pauta tecnológica, reforçou: “Também assumimos, junto ao Comitê de Tecnologia do CFP, o desenvolvimento de um aplicativo nacional para ampliar a participação social e otimizar os processos deliberativos do Sistema Conselhos.”
Sobre o GT de coaching: “Há práticas de coaching que ultrapassam limites éticos e técnicos, incorporando procedimentos que são, de fato, práticas psicológicas. Nosso GT vai estudar essas fronteiras e propor resoluções que resguardem a população e valorizem o exercício profissional.”
Um dos encaminhamentos mais relevantes do último dia da APAF foi a criação do GT de Mobilidade e Psicologia do Trânsito, constituído em resposta às recentes alterações nas normativas do Governo Federal e do Conselho Nacional de Trânsito. O grupo será liderado pela psicóloga Simone Ciotta, representante da Comissão de Psicologia do Trânsito do CRP-12 (Santa Catarina), cuja atuação técnica consistente na área foi decisiva para que o Conselho assumisse a coordenação nacional do tema.
O Paraná participará de forma ativa por meio de sua Comissão de Psicologia do Trânsito, que há anos mantém diálogo permanente com Santa Catarina e possui forte tradição em estudos, práticas avaliativas e debates sobre a atuação profissional no campo da mobilidade. A parceria entre CRP-12 e CRP-08 fortalece o Sistema Conselhos e amplia a capacidade de resposta às mudanças que impactam diretamente os processos de avaliação psicológica, habilitação e segurança viária no país.

A conselheira Semiramis Maria Amorim Vedovatto acompanha os trabalhos da APAF, defendendo a integração entre direitos humanos, fiscalização e políticas públicas na atuação da Psicologia © CRP-08
A criação do GT consolida a importância estratégica da Psicologia do Trânsito e reafirma o papel técnico dos Conselhos Regionais na construção de diretrizes que assegurem a proteção da sociedade, a qualificação das práticas profissionais e a defesa do exercício ético da Psicologia.
A vice-presidente Deisy Joppert reforçou a importância dos GTs como pilares de organização do Sistema Conselhos, destacando que é por meio deles que se estruturam diretrizes nacionais, se qualificam práticas profissionais e se assegura a unidade política e técnica da Psicologia em todo o país.
“Os GTs são instâncias estruturantes do modelo de gestão da Psicologia brasileira. Eles produzem referências técnicas, organizam fluxos de fiscalização, propõem marcos regulatórios e sustentam processos democráticos como o CNP. Assumir cinco GTs significa assumir responsabilidade política e técnica pela construção do futuro da profissão.”

Luciano Bugalski, Jéssica Tonioti, Semiramis Vedovatto e Deisy Joppert acompanham a posse do XXº Plenário do Conselho Federal de Psicologia © CRP-08
Ela enfatizou que a liderança assumida pelo Paraná demonstra coerência com o trabalho das comissões permanentes.
“É uma conquista coletiva. Cada GT assumido representa um compromisso com a categoria, com as políticas públicas e com o rigor técnico que orienta a Psicologia brasileira.”
A conselheira Jéssica Tonioti, presidente da COF, destacou que os GTs assumidos dialogam diretamente com temas sensíveis ao cotidiano dos profissionais.
“Estamos tratando de limites éticos, documentos psicológicos, uso de tecnologias e práticas não regulamentadas. O Paraná enfrenta demandas históricas relacionadas ao exercício ilegal da profissão e à necessidade de atualização normativa. Os GTs assumidos nos colocam na linha de frente da construção de parâmetros que fortalecem a atuação profissional e garantem segurança à população.”
Com reconhecida trajetória na defesa de direitos e atuação qualificada no enfrentamento das desigualdades, a conselheira Semiramis Vedovatto, presidente da Comissão de Direitos Humanos, ampliou a análise.
“Quando discutimos documentos psicológicos, acessibilidade, tecnologia, cuidado paliativo ou limites éticos do coaching, estamos falando diretamente da garantia de direitos. Essas pautas impactam concretamente a vida das pessoas, especialmente das mais vulnerabilizadas.”

Jéssica Tonioti destaca que a atuação do CRP-PR nos GTs reforça a orientação profissional, a proteção da sociedade e a defesa técnica da Psicologia © CRP-08
Ela reforçou: “A Psicologia não é apenas um campo técnico; é um compromisso social. A APAF reafirma que nossas decisões regulatórias têm impacto direto na proteção da dignidade humana.”
Um dos avanços mais significativos apontados por Marina Machado foi o reconhecimento nacional da especialidade em Cuidados Paliativos no SUS, agora formalizada para a Psicologia. A decisão corrige uma lacuna histórica e alinha o campo psicológico às diretrizes contemporâneas de cuidado integral em saúde.
Segundo Marina, a formalização dessa especialidade “reposiciona a Psicologia no interior das equipes multiprofissionais, garantindo presença qualificada em processos de sofrimento, finitude e tomada de decisão clínica. A Psicologia passa a ocupar oficialmente seu lugar nas equipes de cuidados paliativos. Este é um reconhecimento que qualifica a rede de atenção e melhora a assistência nos momentos mais delicados da vida.”
Ela destacou ainda que a especialidade fortalece a atuação técnica das(os) profissionais e amplia a capacidade do SUS de oferecer cuidado centrado na pessoa, respeitando valores, vínculos e a dignidade humana em todas as fases do adoecimento.
O conselheiro-tesoureiro Luciano Bugalski ressaltou que a participação do CRP-PR na APAF também teve um papel decisivo no campo financeiro e administrativo, áreas que estruturam a sustentabilidade do Sistema Conselhos. Ele destacou que o encontro reforçou práticas de responsabilidade fiscal, alinhamento nacional e transparência na gestão dos recursos.
Segundo Luciano, os debates permitiram aprofundar temas essenciais para o funcionamento dos Conselhos: revisão orçamentária, diretrizes para 2026, equalização de práticas administrativas e fortalecimento das políticas de governança.
“Garantimos espaço em GTs estratégicos e cumprimos os compromissos assumidos com a categoria. As pautas financeiras foram debatidas com profundidade e seguimos trabalhando para ampliar a participação do Paraná e assegurar que a Psicologia avance com responsabilidade e justiça.”
Para ele, a presença do Paraná nesse eixo é fundamental para que as políticas deliberadas na APAF se convertam em decisões executáveis, sustentáveis e alinhadas ao interesse público. Luciano enfatizou que a gestão financeira não é apenas um aspecto administrativo, mas um componente estruturante da qualidade dos serviços prestados à sociedade.
Com decisões estruturantes, novos Grupos de Trabalho (GTs), reconhecimento de especialidades, avanços tecnológicos e debates éticos, a APAF de 2025 encerrou com um saldo positivo, reafirmando o papel central da Psicologia na construção de políticas públicas e na defesa dos direitos humanos, resultando em melhores serviços para a sociedade.
Nesse cenário, a nova plenária do CRP-PR retorna do encontro com um portfólio de conquistas concretas, responsabilidades ampliadas, participação qualificada nos temas mais sensíveis da profissão e com uma posição de destaque no cenário nacional da Psicologia, consolidando sua presença nas discussões-chave e no fortalecimento da profissão para os desafios contemporâneos.